domingo, 26 de agosto de 2018

LADO A LADO - CAPÍTULO UM (ROTEIRO)


LADO A LADO - PRIMEIRO CAPÍTULO 

Autoria: Claudia Lage e João Ximenes Braga
Supervisão de texto: Gilberto Braga
Direção: Cristiano Marques, André Câmara
Direção-geral: Dennis Carvalho e Vinícius Coimbra
Direção de núcleo: Dennis Carvalho
Período de exibição:10/09/2012 – 08/03/2013
Horário: 18h
N° de capítulos: 154 capítulos

PERSONAGENS NO CAPÍTULO

Isabel
Zé Maria
Laura
Edgar (citado nesse capítulo)
Caniço
Tia Jurema
Constança
Celinha
Albertinho
Fernando
Umberto
Teodoro
Berenice
Afonso
Carlota (citada no capitulo)
Costureira


CENA 1/ FUNDO NEGRO
Um letreiro grande em fundo preto: RIO DE JANEIRO  seguido  de  1903.
Planos gerais recortes  em fotos da cidade do Rio de Janeiro desse período. Recortes dos mais importantes lugares, e dos mais humildes da época. 
É carnaval, um bloco brinca carnaval na Gamboa, as pessoas brincam pulam e batem tambor. É a efervescência do samba que começa a surgir com força.

CENA 1/ CARNAVAL DE RUA/GAMBOA/ CÉU ABERTO/ EXTERIOR /NOITE.
Um homem fantasiado de “diabo” caminha em meio à multidão.
Caniço – Bum!
Zé Maria ( tira a mascara) -  Quê isso criatura quer me matar de susto?
Caniço – Mas que diabo é esse que tem medo de assombração?
Zé Maria – É que com esse teu bafo de enxofre eu pensei que fosse coisa ruim encar...  – boquiaberto corta o que estava falando ao ver Isabel dançar – Heei é hoje que o anjo caído faz as pazes com Deus e volta pro céu.
Zé Maria fica absorto com a beleza da dança de Isabel.
Caniço( jocoso) – Aquela maravilha ali?... Mulher de mais pra você.
Zé Maria (recolocando a mascara) – Carnaval Caniço, tudo é possível...
Zé Maria corre para dançar em volta de Isabel.
Isabel (enraivecida empurra Zé Maria) – Diabo! Vai pro inferno! Aproveita que o buraco de onde você saiu ainda deve tá aberto!
Isabel sai. Caniço se aproxima.
Caniço – Her he, he, que rasteira hein...
Zé Maria – Brincadeira... Ninguém avisou a essa moça que carnaval é pra brincar não?
Caniço (brincalhão) – Moça séria Zé, vai dá trela pro pobre diabo, rapaz.
Zé Maria (convicto)  – Pois até o fim da quaresma ela vai ser minha.
Caniço (divertido) – Há! Há!
Corta para
CENA 2 / GAMBOA / CÉU ABERTO /EXTERIOR/ NOITE.
Isabel se achega a tia que está com um tabuleiro de acarajé por perto.
Isabel – Tem graça tia? Eu me divertindo no cordão vem um sujo me atrapalhar... Essa história que tão dizendo por ai que vão proibir o uso de mascaras no carnaval, bem sou a favor!
Tia Jurema (enquanto mexe a massa do acarajé ) – Não diga isso Isabel, você não sabe o que tinha por trás da mascara podia ser coisa boa.
Isabel – Eu gosto de tudo às claras tia.
Tia Jurema – Presa na casa da madame é que você nunca vai conhecer nenhum rapaz.
Isabel – Hum e eu vou querer marido pra quê?
Corta para
CENA 3 / MANSÃO ASSUNÇÃO/ QUARTO DE LAURA / INTERIOR/ NOITE.
Laura está com o vestido de noiva. Rita a costureira faz ajustes no vestido. Constância e Celinha observam tudo.
Laura – Tá ótimo dona Rita. Qualquer detalhe acertamos depois.
Constância – Não, acertamos tudo agora. Se formos deixando tudo pra depois, daqui a pouco a costureira vai ter que subir com a noiva no altar.
Laura – Temos muito tempo mãe.
Constância – Em se tratando de casamento... um ano não é nada, um ano é ontem.
Celinha – Até que sua mãe tem razão Laura.
Constância ( para Laura) – Como é que você sabe hein Celinha? Ou vai a igreja pra rezar ou pra se confessar, pra casar nunca foi... Aperta aqui dona Rita na cintura ô... mais!
Laura (incomodada) – Mãe... O vestido está ótimo.
Constância – Edgar vai ter um susto quando vir você magricela assim... Quando ele foi pra Portugal você tinha mais recheio.
D. Rita – Ponto!
Celinha – Tá lindíssima!
Constância – Como toda noiva deve ser... Agora só falta um sorriso Laura. Uma noiva deve está sempre linda, e sorridente filha!
Laura ( de frente para o espelho) – Deve?... que eu saiba beleza e sorriso nunca foram obrigação. Mãe a senhora não quer ver logo seu vestido lá no seu quarto? Eu e dona Rita já terminamos aqui.
Constância – Que  tom é esse mocinha?!
Celinha – É nervosismo por causa do casamento, não lembra como você ficava Constância? Não tinha quem não chegasse perto que não levasse uma ferroada.
Constância – Está bem eu vou relevar e indelicadeza de uma filha. Em nome do nervosismo das noivas, hum.
Constância e Celinha saem, Laura e D. Rita a costureira ficam  sós.
Laura (aflita, a costureira) – A senhora sabe que horas são?
D. Rita – Deve ser umas seis horas. Olha que compromisso sério de moça é casamento. Ih esse é só daqui um ano.
Laura – Compromisso de hoje não é casamento mas é muito importante.
Corta para
CENA 4 / MANSÃO ASSUNÇÃO/ SALA/ INTERIOR /NOITE.
Constância e Celinha sentadas bebericam chá.
Empregada – Mais alguma coisa dona Constância?
Constância – Não obrigada pode se retirar.
Celinha – Eu acho muito bonito, muito romântico, mas  não sei como Laurinha vai conseguir noivar por correspondência por tanto tempo.
Constância – É melhor assim que não enjoa.
Celinha – Ah eu não ia aguentar! Noivar por carta? Por foto?... Noivado bom é de carne, osso...  Ai  de longe não tem graça.
Constância – Componha-se  Celinha,  Laura e Edgar terão tempo de sobra para ficarem juntos depois de casados.
(Entra  Albertinho  na sala vestido para o carnaval)
Albertinho (animado) – Ô ABRE ALAS QUE... O REI DO CARNAVAL QUER PASSAR.
Celinha – Ai que susto Albertinho!
Constância (entre risos) – Celinha sempre teve medo de blocos, filho... desde menina que ela se escondia debaixo da cama quando ouvia a arruaça na rua.
Albertinho – É Celinha?
Celinha (assentindo) – Huhum.
Constância – Não está cedo para ir ao baile? Pilhéria de respeito só na rua do ouvidor. Você sabe ou numa das sociedades carnavalescas.
Albertinho – Sim, sei, nos lugares mais civilizados como a senhora costuma dizer, pra não ter perigo de maus diabos que se vestem de anjos. (beija Constância ) Eu vou indo. Ô ABRE ALAS QUE EU QUERO PASSAR! Ô ABRE ALAS QUE EU QUERO PASSAR!
(Sai Albertinho, voltando a ficar Constância e Celinha a sós)
Constância – É cada má companhia, são esses amigos boêmios que ele arranjou, gostam de musica de NEGROS, hum o tal do samba, imagine Celinha? Se essa batucada de africanos de macumbeiros  algum dia vai ter qualquer importância para o Brasil.
Corta para
CENA 5/ CARNAVAL DE RUA/GAMBOA/ CÉU ABERTO/ EXTERIOR/ NOITE.
(Sem mascara Zé Maria alerta  Caniço que faz pouco caso)
Zé Maria – Caniço! Estrela esta noite tá vindo nessa direção vai cruzar com rosa branca.
Caniço – E eu com isso Zé Navalha?!
Zé Maria – É que aqui é área do rosa branca... Estrela só de provocação.
Caniço – E eu vou ficar me metendo em briguinha de carnaval Zé?
Zé Maria – É melhor a gente tentar controlar por que se der confusão e a policia aparece, vai ficar ruim pra todo mundo.
Corta para
CENA  6/ MANSÃO ASSUNÇÃO/ ANTE SALA / TERREO/ NOITE.
(Laura apressada desce o lance de escadas. Constância a intercepta antes de sair)
Constância – Laura! Meu vestido vai ficar deslumbrante! Eu... Você vai sair?
Laura – É tenho um compromisso.
Constância – No carnaval?... Não acho de bom tom uma moça sair desacompanhada. Ainda mais em dia de festa pagã .
Laura (organizando a bolsa)  – Não vou atrás de movimento mãe, combinei de encontrar Alice, só isso.
Constância – Se vai encontrar sua prima está bem... Mas espere eu vou com você, eu aproveito pra prosear com Carlota.
Laura – Não vou a casa dela, combinamos de nos encontrar na confeitaria. Até logo!
Corta para
CENA 7/ CARNAVAL DE RUA/GAMBOA/ CÉU ABERTO/ EXT/NOITE.
(Os janotas  Albertinho, Umberto, Fernando e Teodoro surgem vestidos a caráter da patuscada)
Albertinho – Ah o carnaval! Festa da carne, tudo é possível senhores! Então divirtam-se!
Fernando -  Tudo é  possível mesmo, um assalto, uma briga,  um ataque de um grande capoeira .. Sei lá.
Umberto – É só resistir a tentação de agarrar uma mulata acompanhada e você vai sair vivo da Gamboa Fernando! (entre risos)
Albertinho – Ai ô...
Teodoro (debochado) – O Fernando com uma mulata? Esse risco ele não corre ele nem sabe como fazer...
Fernando – Você também não...
Albertinho – Último dia de diversão meus caros, não desperdicem a chance.  (Dispersam-se, Albertinho nota Isabel dançando e a cobiça) Eu vou aproveitar bem  a minha.
Corta para
CENA 8/ RUA BIBLIOTECA  MUNICIPAL/ EXT/ INT/ NOITE.
Laura chegando, e entrando na biblioteca Municipal. Constância e Celinha  a observam do cabriolé em frente a biblioteca.
Constância - É um namoradinho eu tenho certeza!  Ah Isso explica tanta coisa! O desanimo com Edgar, com o casamento...
Celinha - Namoro não combina com biblioteca Constância! Ela veio pegar um livro.
Constância - No carnaval? Sua tonta! Não tem expediente hoje.
Celinha - Como ela entrou então?
Constância - Mas é o que estou dizendo, eu tenho certeza! Ela combinou tudo com o namoradinho.
Celinha – É só tem um motivo para ela não querer casar com um moço tão bonito quanto Edgar. Outro moço tão boni...
Constância (corta) – Ah mais quanta tolice! Quem disse que minha filha não quer se casar?... Abre! Sai, sai! Vai... vai.
Corta para
CENA 9/ BIBLIOTECA  MUNICIPAL/ SALÃO/ INT/ NOITE.
Constância e Celinha entram, procurando Laura.  O salão está vazinho as duas segue para  as escadarias. Constância sempre a frente.
CENA 10/ BIBLIOTECA MUNICIPAL/ ESCADARIAS/ INT/ NOITE.
Celinha acompanha Constância, seguindo atrás da irmã.
Celinha (aos sussurros) – Mas não tem ninguém aqui...
Constancia – Que moda é essa? Só se fala baixo na biblioteca no salão onde as pessoas estão LENDO!
Laura – (off) O coração me impele e fala minha razão... Mas a razão sucumbe... Vence o  coração.
Constância entra na sala de recitais de onde vem a voz de Laura. Celinha logo atrás.
Corta para
CENA 11/ BIBLIOTECA MUNICIPAL/ SALA RECITAL/ INT/ NOITE.
Rapaz (recitando para Laura) – Eu quero um beijo, um beijo só. O meu desejo meu bem, tem dó.
Laura – Queres um beijo? Pois toma-o lá!
Celinha – Oh! (e desmaia)
Celinha solta um grito de afobação e cai, num desmaio. Constância permanece firme, não parece abalada. Os outros rapazes veem ao socorro de Celinha que fica caída no chão ao lado da irmã. Constância encara a filha em desafio, Laura mantém seu olhar convicta!
Corta para.
CENA 12/ CARNAVAL DE RUA / GAMBOA/ CÉU ABERTO/ EXT/ NOITE.
As pessoas dançam ao ritmo do samba. Zé Maria, está sério sem a mascara parece tenso com a chegada do grupo rival. Caniço se aproxima.
Caniço – Oh fica tranquilo Zé Navalha, não vai ter confusão nenhuma não homem.
Zé Maria – Tomara que você tenha razão...
O tambor do grupo estrela branca se anuncia, Zé é o primeiro a notar, avisa.
Zé Maria – Olha lá!
O grupo vai se aproximando, Zé Maria e Caniço são os que estão mais próximos do grupo. O líder do outro grupo está mascarado, ele quem bate o tambor mais forte, esse mesmo dá sinal para  a banda parar quando fica frente  ao grupo rosa branca. Zé veste a mascara.
Zé Maria – Bora lá...?
Caniço (com medo) – Ih eu vou me envolver na briga dos outros Zé? Pelo menos essa sua fantasia ridícula vai servir mais tarde para você fugir da policia.
Zé Navalha se aproxima do líder do estrela.
Zé Navalha – Fala mestre... O senhor que é o chefe da pancadaria?
Líder do Estrela (vos trovejante ) - Eu mesmo. Interessado?
Zé Navalha – Tô falando da bateria mestre...
Líder do Estrela – Mas se quiser pancadaria da grossa  também tem.
Zé Navalha – Não, não senhor, eu quero é paz. Essa área aqui é do rosa branca.
Líder do Estrela – Ano passado teve gente de vocês, entrando na nossa área.
Zé Navalha – Tem mulher e criança aqui, vamo evitar confusão.
Líder do Estrela -  Ih eu vou te obedecer porque, Diabo?
Zé Navalha – Faço um trato...
Líder do Estrela (jocoso) – Quer comprar minha alma?
Zé Maria – Homem a homem, quem vencer vai tocar seu tambor pra longe daqui...
Líder do Estrela – Tá feito!
Os dois começam a dançar capoeira, todos os outros abrem mais espaço.
Corta para
CENA 13 / GAMBOA/ CÉU ABERTO /EXT/NOITE.
Isabel vê de perto a briga dos capoeiras, volta para  ajudar a tia Jurema a arrumar seus tabuleiros de acarajé para irem embora.
Isabel – Tia vamos embora daqui rápido! (movimento)
Tia Jurema – Bem fez você em não dá trela pro diabo, ainda por cima é capoeira. (movimento)
Isabel – Capoeira é tudo bandido. Vamo... ( em movimento)
Tia Jurema – Vem... ( movimento)
Corta  para
CENA 14/ CARNAVAL DE RUA/GAMBOA/ CÉU ABERTO/ EXT/ NOITE.
Zé vitorioso comemora com Caniço.
Caniço – Mandou bem Zé!
Zé Maria – Agora eu quero vê aquela mulata me negar uma dança.
Caniço – A lindona?
Zé Maria (procurando Isabel) – É...
Caniço – Escafedeu-se.
Zé Maria – Só me resta a orgia...!
Corta para
CENA 15/  CARNAVAL DE RUA/GAMBOA/ CÉU ABERTO/ EXT/ NOITE.
Fernando – Vamos embora desse inferno.
Albertinho – Que isso Fernando? Nunca me diverti tanto.
Teodoro – Vamos para a rua do Ouvidor! Chega dessa gentinha.
Teodoro e Fernando vestem as mascaras, e saem. Albertinho e Umberto mais atrás também vestem as mascaras seguindo os dois primeiros.
Corta para
CENA 16/ RUA DESERTA/ CÉU ABERTO/EXT/NOITE.
Isabel e Tia Jurema seguem para a casa de Comadre Bastiana.
Tia Jurema – Eu vou ficar aqui mesmo com comadre Bastiana. (em movimento com o tabuleiro na mão)
Isabel (ajudando a carregar outra parte do tabuleiro) – Vamo pra casa tia...
Tia Jurema - Que nada é carnaval, daqui a pouco esse clima ruim passa a festa volta e eu ainda tenho muita massa de acarajé.
Isabel – Ai pra mim  já perdeu a graça eu vou pra casa que amanhã eu acordo cedo. (entrega o tabuleiro a tia) Tá aqui...
Tia Jurema (já na porta de Bastiana) – Vá sim minha filha vá sim...
Isabel – Benção tia...
Tia Jurema – Oxalá te abençoe.
Isabel desce a rua tranquilamente, quando cruza com o grupo de janotas mascarados liderados por Fernando que a vendo indefesa se aproxima rudemente,  os quatro cercam-na.
Fernando (mascarado) – Ohhh... (impede a passagem de Isabel)
Umberto (tira a mascara) – Deixa eu mexer esse café com leite...
Isabel – Quer saber onde eu vou mandar você meter essa colher?
Teodoro – Uhh é tinhosa!
Isabel – Você não sabe o quanto.
Umberto  – Boa assim...
Fernando – Você deveria saber onde é o seu lugar.
Albertinho é o único que ainda está com a mascara rondando os outros, deixando os amigos fazerem o que quiserem, sem interferir mas também se ajudar.
Isabel – Sei sim LONGE DE VOCÊS!
Fernando, Teodoro e Umberto impedem a passagem de Isabel segurando-a.
Fernando – Ei, ei, ei...
Teodoro – Ei, ei, ei...
Umberto – Você é muito bonita moça...
Teodoro – Não tem para onde correr...
Albertinho observa sem se mexer, mantendo uma distancia.
Zé Navalha (mascarado) – NEM VOCÊS!
Umberto (veste a mascara) – Mais que diabos é isso?
Os outros dois (Fernando/ Teodoro) também se mascaram, e vão a luta com Zé Navalha que já em posição de capoeira, jonga para cima dos três só Albertinho se mantém distante. Mas intervém quando  percebe se tratar de um capoeira, e vê seus amigos apanhando feio.
Albertinho – Ehhei vocês vão brigar com capoeira?! Ainda mais se a mulher é dele...
Isabel – Eu não sou nada dele não!
Zé Maria – É! O garoto tem juízo...
Albertinho – Não quero problema com você.
Zé Navalha – Sai!
Albertinho – Vamos, vamos... (ajuda Umberto a erguer Teodoro que está caído)
Os mauricinhos saem, Zé Maria preocupado se aproxima de Isabel.
Zé Maria – Tá tudo bem com você?
Isabel – Esquece!
Zé – Espera ai, mas eu não fiz nada...
Isabel – Eu tenho pavor de quem sujo no carnaval tenho pavor de capoeira corja de bandido sem vergonha.
Zé Maria – Se não fosse por minha causa...
Isabel (cortante) – Eu sei cuidar de mim!
Zé Maria – Mas o que é que eu t fazendo...
Isabel – Cala a boca! Você já falou demais por hoje...
Isabel sai correndo, deixando Zé Navalha sozinho sem entender nada.
Zé Maria (retira a mascara) – Mulherzinha metida!
Corta para
CENA 17/ MANSÃO ASSUNÇÃO/ CÉU ABERTO/ FACHADA/ EXT/NOITE.
Plano geral da mansão fachada, com o cabriolé de Constância chegando.
CORTA
CENA 18/ MANSÃO ASSUNÇÃO/ SALA/ INT/ NOITE.
Laura está em pé, tirando as luvas. A mãe está a sua frente furiosa.
Laura – Eu não fiz nada de mais...
Constância – Mentiu pra sua mãe... Nada justifica Laura, a minha filha em cima de um caixote ordinário!
Laura –  Em cima do palco, era um sarral...
Constância (corta a fala de Laura)  – Insinuando-se a outro homem...
Laura – Eu não me insinuei a ninguém.
Constância (dramática) – Mas graças a Deus a sua tia caiu dura naquele chão,  se não você não só se insinuava como beijava!
Laura (sorrindo) –  Não era eu, era aquela personagem da peça do Artur de Azevedo que eu falei pra você...
Constância(cortando fala de Laura)  – Não me interessa! Você guarde essas sem-vergonhices para as atrizes que já são umas desclassificadas.
Laura (cansada da conversa)  – Só estávamos lendo a peça que eu estava dando na minha aula de literatura... O Artur era meu aluno, já faz um tempo eu dou aula na biblioteca, é um trabalho voluntário por enquanto...
Constância (com repulsa)  – É um trabalho?! Você está noiva.
Laura – Eu estudei, não fiz o curso normal atoa...
Constância – Mas era um passatempo enquanto seu noivo estava em Portugal. Har, mas desde menina que você tem essa mania de largar as bonecas, as mais lindas. Pra se apegar aos livros... Ham, e agora essa?! Onde estamos meu Deus? Onde é que nos vamos parar?
Laura – Não sei onde vamos parar... Mas que seja bem longe, estamos em 1903! O século dezenove acabou, a monarquia se foi!
Constância – O mundo continua o mesmo, com as mesmas regras e os mesmo valores.  Se engana quem pensa que pode ser diferente.
Laura (enfática) – Se engana quem pensa que pode ser igual. Ou a senhora acredita mesmo que o tempo passa e as pessoas não mudam?
Constância (debochada)  – Você acha mesmo que o seu marido vai permitir uma insanidade dessas? Ensaios, teatros, beijos? Eu sou sua mãe e posso perdoar, mas o seu marido...
Laura se senta, fatigada. Constância se aproxima, sentando próxima a filha.
Constância (continua/ paciente) - No dia do seu casamento quando você entrar  naquela igreja, eu estarei acompanhando cada passo seu até o altar, um por um. Até o seu pai entregar você ao Edgar,  e essa conversa vai ficar esquecida no tempo filha... Como um, um devaneio e, você mesma vai se  esquecer dessa moça tão cheia de fantasias.
Laura (enraivecida) – Não são FANTASIAS!
Constância (reticente) – São maluquices. Que em breve, diante do padre com a benção de Deus estarão mortas enterradas para SEMPE.
Constância sai firme.
Corta para
CENA 18/ CARNAVAL DE RUA/ GAMBOA / CÉU ABERTO/EXT/ NOITE.
Os mauricinhos estão saindo da Gaamboa, todos com hematomas da surra que levaram do capoeira. Em movimento eles atravessam uma rua quase sem ninguém.
Fernando – Disse... Sabia que isso ia acontecer.
Umberto – Você está reclamando do quê? Eu é que levei a pior...
Teodoro – É levei a pior, levei a pior. Você é brancoro demais para bancar o conquistador na Gamboa, Umberto.
Fernando – Olha esse lugar... Infecto.  Olha que gentinha?!
Albertinho (sorrindo) – Oh Fernando...
Fernando – O quê que é? Você tá rindo do quê? Você é um covarde!
Albertinho – VOCÊS É QUE SÃO UNS GROSSOS, NA GAMBOA OU NA RUA DO OUVIDOR. Não conseguem perceber a elegância daquela morena, a beleza, a graça!
Fernando (escarnio) – Ah! Uma escurinha!
Albertinho – Você não sabe como tratar uma mulher... Vocês não entendem... Mas eu ô, gostei daqui.
Fernando (de bom humor) – Tá bom. Apresenta ela pra tua mãe...
Albertinho – Ai não é pra tanto Fernando!
Os quatro saem aos risos, e palavras audíveis, mas de difíceis interpretações pilhérias.
Corta para
CENA 19/ MANSÃO ASSUNÇÃO/ SALA DE JANTAR/ INT/NOITE.
Constância e Alberto jantando, ele na cadeira da cabeceira da mesa ela ao seu lado direito. Constância está preocupada.
Constância – Ahhh estou sem apetite Alberto. Esta dor de cabeça está me matando.
Alberto – Ah não se exaspere tanto querida, isso passa logo.
Constância – Essa dor de cabeça tem nome e tem sobrenome, não passa assim.
Alberto – Passa, quando Laura casar.
Constância – Não entendo essa sua calma. Você tem ideia da importância desse casamento pra nossa família?
Alberto – Tenho. Eu tenho, eu só não preciso perder o apetite pra demonstrar isso, preciso?... Oh meu bem, logo você vai melhorar viu...
Corta para
CENA 20/  MANSÃO ASSUNÇÃO/ QUARTO DE CELINHA/ INT/ NOITE.
Celinha está sentada na cama, enquanto Laura lhe oferece agua.
Laura – Tá melhor tia?
Celinha (bebendo agua) – Tô, tô, mas meu olho tá pesado quer fechar de todo jeito.
Laura – Ohhh tia deixa fechar, oras descansa um pouco...
Celinha – Que descanso o quê?... Fecho os olhos e só vejo você e aquele moço no palco, não consigo ver outra coisa... O beijo? Foi bonito?
Laura (entre risos) – Oh tia! Não teve beijo, a senhora desmaiou... (mais risadas de Laura)
Celinha – Ai que azar... (Celinha prende as mãos de Laura entre as suas) Que minha irmã não me ouça, mas que coragem minha sobrinha, as aulas a peça, você fez tudo aquilo escondido dela...
As duas sorriem cumplices.
Laura – A um dia quem sabe minha mãe vai entender... Solteira ou casada eu quero estudar, trabalhar, não tem nada demais... Muitas mulheres já fazem isso.
Celinha – Muitas não, poucas, pouquíssimas. Se contar nos dedos não enche uma mão.
Laura – É, mas... De pouquinho em pouquinho.
Corta para
CENA 21/ RUAS DO RJ/ EXT/ INT/ NOITE.
Planos gerais da noite na cidade maravilhosa, homens engravatados em bares noturnos, mulatos e mulatas passeando pelas ruelas. Plano geral do cortiço.
CORTA
CENA 22/ CORTIÇO/ CASA DE ISABEL/ EXT/ INT/NOITE
Afonso toca seu violão enquanto Isabel engoda uma roupa.
Afonso – Você chegou com uma cara tão preocupada minha filha.
Isabel – Nada não pai...
Afonso – Não vai me dizer que algum engraçadinho...
Isabel – Eu sei me cuidar, mas o Rio tá ficando perigoso mesmo. É gente em tudo que é ponto vindo pra cá, a cidade tá fervendo.
Afonso – Já foi o tempo que a gente podia brincar o carnaval lá na Gamboa em paz, agora não é um atazanando o outro... Eu devia ter isso com você lá minha filha. Mas eu já fico tanto tempo em pé naquela barbearia que...
Isabel – Ô amanhã quando madame Bezonson tirar a cesta, eu vou levar um almocinho pro senhor.
Isabel beija o rosto do pai, carinhosamente.
Afonso – Huhum... que bom minha filha, que bom.
Corta para
Cortes de planos gerais de construções daquele período no centro do Rio de Janeiro. Imagens das mais diversas, todas urbanas.
CENA 23/ EXT/ INT/ RUA DO OUVIDOR/ BARBEARIA/ DIA.
Pessoas andam por todos os lados da rua. Isabel vai levando a marmita ao pai no local de trabalho dele. Isabel entra na barbearia, Zé Maria está atendendo um cliente, não a vê entrar até que reconhece a voz e se vira.
Isabel – Boa tarde, seu Afonso, ele está?
 Corta para

CENA 23/ EXT/ INT/ RUA DO OUVIDOR/ BARBEARIA/ DIA/
CONTINUAÇÃO  EXATA DE CENA ANTERIOR

Zé fica paralisado sem conseguir responder de imediato.
Isabel – Vim trazer o almoço pra ele, ele está?
Zé Maria (boquiaberto/ encantado)  – Ele saiu mas você pode deixar ai que eu entrego pra ele.
Isabel – Não, eu acho que prefiro esperar.
Zé Maria – Ehhhei mas é metida mesmo hein!
Isabel – Metida eu?!
Zé Maria – É cê tá insinuando que eu vou roubar o almoço dos outros é?
Isabel – Ce me conhece pra falar comigo desse jeito?
Zé Maria – É conhecer eu não conheço.
Isabel – Então você é grosseirão com qualquer mulher que apareça na sua frente?
Zé Maria – Não qualquer um não...
Isabel – E porque logo comigo?
Zé Maria (dissimula) – Me desculpa! Vamo começar de novo? Você cozinha bem? Porque de repente eu passo a encomendar meu almoço com você também.
Isabel (desdenhosa) – Vai sonhando... Cê quer dizer onde meu pai tá antes que esse embrulho vá voar na sua cara!
Zé Maria – Me desculpa eu não sabia...
Isabel – Que o que? Eu era filha dele, se soubesse tinha me tratado bem desde o inicio.
Zé Maria – Não é isso...
Isabel (corta a fala dele) – Como achava que eu era cozinheira de pensão, veio todo atrevido eu conheço bem seu tipinho.
Os dois permanecem calado por alguns segundos, Afonso chega. Isabel está com rosto desafiador, Zé apaixonado.
Afonso – Algum problema filha?
Isabel – Eu vim trazer o seu almoço.
Afonso – Eu acho que vi você discutindo com ele. ( aponta Zé) Ele te desrespeitou foi isso?
Isabel – Não, de jeito nenhum.
Zé Maria – Seu Afonso, eu não tratei a sua filha com a atenção que devia. Mas é que tava atarefado aqui  com o redemoinho da nuca do doutor Nicolau, e eu fiquei atarefado!
Afonso – Chi, chi, vai atender o cliente, vai...
Zé Maria (encabulado) – Tá certo...eu...
Isabel (direto a Afonso) – Foi só um mal entendido pai.
Afonso – Apesar de ele tá pouco tempo aqui ele é bom rapaz... Inclusive eu arrumei um quartinho lá perto da gente. Ele tá procurando lugar pra morar.
Isabel – Eu vou voltar pro trabalho, logo madame acorda. Seu almoço. Tchau...
Isabel sai, e o cliente logo em seguida. Afonso e Zé ficam a sós, Afonso abrindo o almoço.
Zé Maria – Seu Afonso...
Afonso – Hum?
Zé Maria – Pode almoçar tranquilo ai que eu pego o próximo cliente viu,
Afonso (entretido com a comido ) – Humhum...
Zé Maria – Oh... ô seu Afonso?
Afonso – Hum?
Zé Maria – Se não for ofensa, será que eu podia pedir a senhorita  sua filha em namoro?
Isabel entra e pergunta pelo pai, Zé Maria que trabalha no local vira-se e encara Isabel que não o reconhece, ele bestifica vidrado na moça.
Corta para
CENA 24/ MANSÃO  ASSUNÇÃO/ QUARTO LAURA / INT/ DIA.
Laura entra no quarto animada com a prima Alice, e flagra a mãe lendo seu diário pessoal, as duas agora discutem seriamente.
Alice (aos risos) – A prima eu não concordo, meu sonho é diferente.
Laura percebe a mãe sentada em sua escrivaninha, vai até ela.
Laura (fecha a porta)  – Mãe... Que quê isso?
Constância (dissimulada/ de costas a filha)  – Estou lendo... Não é o seu passa tempo favorito? Porque eu não posso?
Laura (indignada) – Isso é meu diário! Isso é uma falta de respeito, eu tenho direito a minha privacidade.
Constância – Não, esse aqui não pode ser o seu diário. Esses rabiscos  são um folhetim muito tolo sobre uma moça que não sabe o que quer da vida... Imagina gosta de escrever, quer ser professora.
Laura (tenta arrancar o diário das mãos da mãe) – Me dá isso aqui! Você não tem esse direito!
Constância (lê alguns trechos do diário em suas mãos) – “Eu não entendo porque o casamento deva ser o destino natural da mulher. Nos somos capazes de muito mais”.  Mais o que? Sem-vergonhices?
Laura – Tá me ofendendo!
Constância começa a rasgar as paginas do diário de Laura.
Constância –  Você tem obrigações com nossa família com a nossa linhagem!
Laura avança no intuito de salvar o que restou do diário, e consegue toma-lo da mãe.
Constância (continua) – Eu sou a Baronesa de Boa vista! E você pare de alimentar fantasias.
Depois da apoquentação protagonizada por Constância, essa sai do quarto de Laura batendo a porta. Laura e Alice ficam a sós, Laura se senta na sua mezinha indignada.
Laura – Viu Alice? Ela acha que eu não existo que sou uma Marionete!
Alice – Ela quer o seu bem...
Sentada diante do restante do diário Laura, está nervosa.
Laura – “Obrigações com nossa família”  “Nossa linhagem” Ela quer é o bem dela...
Corta para
CENA 25/ CORTIÇO/ A CÉU ABERTO/ EXT/DIA.
O cortiço, muito movimentado. Gente indo e vindo, crianças correndo para todo lado, Zé Maria chega com Afonso, esse a frente. Zé traz consigo pouca coisa.
Afonso – Ahh boa tarde sinhá como é que tá? Quer dizer que depois você vai voltar para pegar o resto das suas coisas?
Zé Maria – Eu não tenho mais nada não sr. Afonso , isso aqui é tudo o que eu tenho nessa vida... Agora força pra trabalhar e alegria, é tudo o que eu carrego comigo.
Afonso – Mas é bom ter pouca coisa, porque eu avisei que o quarto é pequenininho.
Zê Maria – Mas é barato, eu não sou de luxo não.
Tia Jurema – Oi Sr Afonso. As toalhas da barbearia lavadinhas...
Afonso – Obrigado, obrigado Jurema.
Tia Jurema – Com esse sol secou rápido. Esse moço que vai ficar no quarto que era do Orlando?
Afonso – Ele é o Zê Maria que trabalha com a gente lá na barbearia.
D. Ernestina – Não fica nesse quarto não moço...
Zé Maria – Porque?
D. Ernestina – Por que um tisico morreu naquela cama.
Tia Jurema – Ih dona Ernestina já defumei tudo lá, tudo o que era do Orlando já foi pro fogo. Um homenzarrão desses com medo de fantasma, ou tem?
Zé Maria – Nem de alma, nem de doença de peito!
Tia Jurema – Há! Muito bem,
S. Isidoro –  Zé Maria!
Zé Maria – Oh Isidoro!
S. Isidoro – Seja bem vindo! O Afonso já lhe explicou tudo? Banheiro só tem um, e para encher a vasilha na bica d´agua também tem que fazer fila viu
Zê Maria – Êh! Primeiro eu preciso achar a vasilha né... Depois eu entro na fila...
Tia Jurema –  A gente com licença que eu vou ali, com licença...
S. Isidoro –  Eu também vou... Dá licença...
Afonso – O seu quarto é o último do corredor, viu...
Zé Maria – Obrigado por tudo Sr. Afonso.
Berenice que está perto observa a chegada de ZÉ.
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CENA 26/ CORTIÇO/ INT/DIA.
Zé Maria a procura  seu quarto. Berenice o intercepta para entregar um balde de cortesia.
Berenice – Tome, use a minha.
Zé Maria – Ê, já vi que segredo por aqui não se cria.
Berenice – Tá com vergonha de pobre? Aqui no cortiço todo mundo se ajuda.
Zé Maria – E nem precisa pedir.
Berenice – Meu nome é Berenice.
Zé Maria – O meu aposto que  você já sabe.
Berenice – Pega, tá limpa. Depois eu venho aqui no teu quarto buscar.
Zé Maria – Brigado, mas eu prefiro comprar uma nova num armarinho.
Berenice – Tá desdenhando?
Zé Maria – Não. Tanta gente por aqui, não vai faltar quem queira sua vasilha.
Berenice – Todo prosa...! Mas não se engane não, a gente ainda vai se esbarrar, muito.
Zé Maria – Apertado do jeito que é, com certeza.
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CENA 27/ MANSÃO ASSUNÇÃO/ FACHADA/ EXT/DIA.
Fachada da bela mansão dos Assunção, os raios do dia incidem no jardim trazendo ao ambiente um ar lívido.
Constancia (off) – A Laura chateada? E eu?
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CENA 27/ MANSSÃO ASSUNÇÃO/ SALA DE JANTAR/ INT/ DIA.
Mesa posta para um chá da tarde. Constância de um lado da mesa e Alice logo de fronte.
Constância (continua) –  Como fico com uma filha que não quer saber do próprio casamento? Ah, estou fazendo tudo sozinha Alice. Os preparativos pro casamento, a decoração da casa nova. Até o retrato do Edgar, na cabeceira da Laura, fui eu que coloquei. Ah, ela gostava tanto dele, eu não entendo... Eu não sei o que se passa na cabeça da Laura.
Alice – Tia, mas a senhora só vai saber conversando. E não...
Constância – Não o que Alice!? Diga!
Alice – E não reclamando, quando a senhora diz a Laura o que ela tem de fazer ela se afasta da senhora. Ah! Do jeito que a Laura tá tia... Não sei. Deus me livre! Mas é capaz de ela desistir do casamento antes mesmo de Edgar voltar de Portugal...
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CENA 28/ MANSÃO ASSUNÇÃO/ QUARTO DE LAURA/ INT/ DIA.
Laura escreve em seu diário, está com a tez séria escrevendo com força. Constância entra, com ares de diplomacia.
Constância – Posso entrar minha filha?
Laura (se mantem sentada, de costas para a mãe) – Veio quebrar o tinteiro, agora?
Constância – Imagina Laura, eu não devia ter rasgado seu diário, eu me descontrolei. Mas é que eu estou muito preocupada com você. Toda mãe cumpre uma missão quando casa uma filha, toda mãe tem  certeza de que naquele momento fez tudo para que sua filha seja feliz. Mas eu não sinto isso com você. Parece que eu não cumprir a minha missão, parece que nada faz você feliz.
Laura – Não é isso.
Constância – Então o que é? Me diz eu quero entender.
Laura – Quer?
Constância – Sim, eu quero. O que minha filha está sentindo?
Laura – Mãe eu já te falei tantas vezes...
Constância – Então me perdoe se eu não ouvi. Diga... Mas eu só quero que você entenda uma coisa filha, na sua idade é muito cedo pra definir o que se quer para o resto da vida.
Laura – Exatamente! Mãe eu não sei se o Edgar...
Constância – Mas também pode ser muito tarde para voltar atrás num compromisso. Eu entendo que você tenha uma duvida momentânea, mas o que vale nessa vida minha filha é ter um bom companheiro. E o Edgar é um homem exemplar.  Dê tempo ao tempo, espere ele voltar, deixe os sentimentos clarearem. Eu tenho certeza que você vai vê-lo da mesma forma que antes. Com o mesmo encanto, com mesmo amor. Ninguém merece ter a solidão como companhia. Muito menos você.
Laura – Eu não acho que o casamento...
Constância – Promete, promete que ao menos você vai pensar sobre isso.
Laura – Tá bem, vou pensar, prometo. Mas eu vou continuar dando as minhas aulas.
Constância – Enquanto o Edgar estiver fora.
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CENA  29/ RUAS DO CENTRO DO RIO DE JANEIRO / EXT/NOITE.
Ruas do centro carioca, pessoas passeando pela noite. Homens na porta de um bar, alguns cabrioles passando. Algumas pessoas nos passeios. O foco vai para o restaurante Colonial.
Corta para.
CENA  29/ RUA DO OUVIDOR / REST. COLONIAL/ EXT//NOITE.
Isabel e Zé Maria, andam no passeio que dá acesso ao Colonial, mas ela ainda não percebeu.
Isabel – Fiquei surpresa com o convite. Pra ser sincera eu nem sei porque eu aceitei.
Zé Maria – Porque você sabe que eu tenho medo do seu pai. É aqui...
Isabel – Aqui?
Corta para
CENA  29/ RUA DO OUVIDOR / CONFEITARIA COLONIAL/ /INT/NOITE.
As mesas estão repletas de pessoas todas brancas, e quando as portas se abrem entrando por meio delas Isabel e Zé Maria, todos param para observar, antes o cochicho que tomava conta do ambiente morre num silencio sinistro. Zé Maria não liga, Isabel parece tensa.
Isabel – Aqui é muito caro, vamo pra outro lugar.
Zé Maria – Isabel não faça cerimonia, vamos.
Garçom – É... Essa mesa está reservada.
Zé Maria – Sim, o senhor a de ter outra disponível.
Garçom – Sugiro que procurem outra casa.
Zê Maria – Nos estamos no século vinte, caso o senhor não tenha percebido. Uma garrafa de vinho tinto português, e os cardápios por favor. Obrigado... Já fui pedindo o vinho nem perguntei se você...
O garçom entrega os cardápios, Isabel olha bem para Zé e não resiste, beija-o ali mesmo na frente de todos. A tela congela no beijo dos dois!

FIM DO PRIMEIRO CAPITULO 

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LADO A LADO - CAPÍTULO UM (ROTEIRO)

LADO A LADO - PRIMEIRO CAPÍTULO  Autoria:  Claudia Lage e João Ximenes Braga Supervisão de texto:  Gilberto Braga Direção : Cris...